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  • Luciane Rodrigues

Fim do ano 1

Já faz um ano que eu tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida: dar um tempo na carreira para ficar com os meus filhos. Foi assim que surgiu o “Sabático de mãe”. Antes, eu pensava que “sabático” era estar sem trabalhar por algum motivo descolado: um MBA, um curso de idiomas no exterior ou um tour pela Europa. Minha pausa teve outra razão: eu estava exausta. Só queria ficar em casa. E com eles.

Eu podia falar agora do momento mágico que estou vivendo. De como estou plena e realizada. Mas não. Não é assim que eu me sinto o tempo todo. Talvez alguns dias sim e outros, NÃO MESMO!

Ficar em casa com os filhos é montanha russa. É perder a troca diária com as pessoas. É confrontar a solidão. E logo em seguida, pisar em nuvens, curtir os momentos bacanas ao lado dos pequenos, que enchem o coração da gente de alegria e felicidade. Como eu disse na primeira linha desse texto. Eu sabia que não ia ser fácil. Deixei para trás uma profissão que eu adoro, amigos de quem eu morro de saudades e toda uma vida a qual eu estava acostumada.

Hoje, eu percebo que só o amor tem esse poder. Tirar a gente da zona de conforto e dar forças para seguir novos caminhos.

A certeza de que eu tomei a decisão certa vem da minha falta de arrependimento após um ano. E da minha gratidão por tudo o que eu tenho vivido nesse período: tanto as partes difíceis, como as maravilhosas.

Querem um exemplo de algo ma-ra-vi-lho-so?

O primeiro cheiro que eu sinto pela manhã é o dos meus filhos. Eu acordo e ouço os passos deles no corredor. Eles vêm pro meu quarto e deitam na cama. E ficamos ali. Agarradinhos. Sem pressa. E pra mim, não ter pressa e poder ficar com eles é algo muito bom. Agora, também consigo aproveitar todos os finais de semana e feriados com as crianças. Quando eu trabalhava, não era bem assim.

Só que hoje vivo tudo com mais intensidade: as birras, as bagunças na casa, a rotina. O cansaço às vezes me cega e eu não consigo enxergar SE estou agindo bem com eles. SE estou educando do jeito certo, SE estou cuidando direito, SE eu brinco o suficiente com os meus filhos. São tantos “SES”!!!

Esse tempo com os meus filhos tem sido pra mim um aprendizado intensivo do que é ser mãe. E dar a cara para bater desse jeito é punk! Meus defeitos ficam ali, escancarados pra mim: o desequilíbrio emocional, a preguiça, a raiva, o perfeccionismo.

A maternidade é mesmo o encontro com a própria sombra. E dói pra caramba confrontá-la com tanta frequência.

É também nessa pausa que tenho refletido sobre o meu futuro. E isso me dá um pouco de angústia. Algumas noites atrás, fiquei no computador até tarde fazendo algumas pesquisas sobre projetos que planejo para o ano que vem. Depois disso, fui deitar e não conseguia dormir. Comecei a pensar nas horas que vou precisar me dedicar aos meus novos projetos. Vou ter que ficar mais tempo longe das crianças, colocá-las um período a mais na escola.

E me veio uma dor de saudade antecipada.

O velho dilema da mãe dividida: de um lado, a vontade de lamber as crias para sempre, do outro, aquele comichão de quem quer voltar a ter desafios.

Os sonhos não morrem automaticamente quando os filhos nascem. São sonhos adiados ou que mudam com o passar dos anos. Mas que não morrem.

Eu sei que o passado eu carrego no meu coração para sempre. Os bons momentos, as amizades, as vitórias e as derrotas. Meu presente é aqui em casa com as crianças e sou feliz por isso. E no futuro, estão os meus sonhos. Que não importa como, vou realizar. Com eles ao meu lado.

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