Início

Há quatro anos, um tsunami passou por mim: pois é, eu virei mãe! E isso teve na minha vida o mesmo impacto de um desastre natural. Com um pouco de exagero, porque eu sempre fui exagerada mesmo!  A verdade é que eu não tinha a menor ideia de como tudo mudaria: minha rotina, meu corpo, minhas prioridades. Mesmo assim, desejei essa mudança com todas as minhas forças.

 

Algumas mulheres conseguem realizar o sonho de serem mães logo que o "chamado da maternidade" bate no coração. Para mim, não foi bem assim. Tive que passar por todo um processo que envolveu perdas, dúvidas e momentos difíceis. Até finalmente fazer aquele teste de farmácia que aponta com duas linhas cor-de-rosa: "Ei, bem-vinda a sua nova vida. Sua vida de mãe".

 

 Eu não sabia. Aquele era só o começo. O começo de uma fase maluca, cheia de amor, aprendizado e alegrias. Mas também de cansaço extremo, vindo das noites mal dormidas, do pouco ou nenhum tempo livre e de muito, muito trabalho.

Sim, criança dá um trabalho danado. Mais do que a gente pensa. E se não existe uma rede de apoio por perto, pior ainda. É o meu caso e o do meu marido.  

 

Como muitas famílias de classe média dos grandes centros urbanos brasileiros, moramos longe dos nossos parentes. Quando engravidamos do nosso primeiro filho, não tínhamos ninguém por perto para ajudar.  Tampouco tínhamos dinheiro para pagar por uma babá. Aliás, nem pensamos em apertar as contas para contratar uma. Na época, nós achamos que podíamos dar conta.  

 

A gente não tinha noção do universo que estávamos entrando.  Pais ingênuos de primeira viagem, sem ter a menor ideia do que vinha pela frente. Nesses quatro anos, foram emoções e sentimentos misturados. Dezenas de experiências novas. Viramos o pai e a mãe do Rafael. E depois, da pequena Clara.

 

Passamos a ter conversas frequentes sobre nossa família, filhos... E é claro, fizemos planos para o futuro. A nossa sensação é de que não há mais tempo a perder. Para aproveitar bem aqueles momentos em que não estamos trocando fraldas, é preciso muita determinação.

 

Eu, que ensaio ter um blog há vários anos, decidi que agora é o momento. Não porque me sobra tempo. Pelo contrário. Tenho duas crianças para criar. Mas elas me mostraram que preciso refletir sobre esses dias tão intensos.

 

A maternidade é como o punk rock que eu gosto de ouvir de vez em quando. É pesada, crua, visceral. Ser mãe é um verdadeiro gesto de anarquia: é se entregar ao caos. À desordem total na sua cabeça, na sua vida. Ah, e é claro, TAMBÉM NO SEU APARTAMENTO! Só que sim, vale a pena. É por isso que eu digo: A maternidade é punk. Mas e daí? Eu também sou!

 

Por isso, decidi me jogar de vez nessa empreitada. Sou jornalista, apaixonada pelo meu ofício. Trabalhei quase vinte anos em televisão. Mas desde que meus filhos nasceram, me sinto exausta e louca de vontade de dar um tempo. Finalmente, esse tempo chegou. Tirei uma espécie de “período sabático”.  Sabático vem do hebraico shabbat, uma palavra antiga, para determinar um período de descanso, após seis anos de trabalho.

 

Estou chamando esse período de meu “sabático de mãe”. É comum as pessoas tirarem períodos sabáticos para se reciclarem profissionalmente ou para fazer viagens e cursos no exterior.

Então, eu pensei, por que não dar um tempo para ficar mais perto da minha família? E entender melhor esse negócio que é ser mãe.

 

Afinal, quem é essa mulher que renasce com a maternidade? Para colocar meu plano em prática, mudei meu padrão e meu estilo de vida. Claro que só foi possível depois de meses de planejamento, economias e conversas entre eu e o meu parceiro.  

 

Existem os prós e os contras de ser uma mãe em tempo integral. Para mim, foi a melhor escolha que eu fiz nesse momento. Esse blog é sobre a minha trajetória como mãe. Mas também é um convite para refletir sobre maternidade, feminismo, cuidado e infância.

 

O que podemos fazer para criar seres humanos e não sobreviventes?

 

E como não se perder no meio disso tudo?

 

Bom, agora chega de papo, que eu tenho que buscar as crianças na escola. Sabático de mãe tem descanso, mas não é moleza, não! Até a próxima!

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Sabático de mãe

  • b-facebook
  • Twitter Round