Sabático de mãe

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Perfeição não existe

Nos últimos dias, muita gente tem comentado na internet sobre o Rodrigo Hilbert – o marido bonitão da também maravilhosa Fernanda Lima - e sobre como ele é um moço prendado: cozinha, faz crochê, cuida dos filhos, manja de marcenaria. A última dele foi construir uma casa na árvore para os filhos.

 

As mulheres suspiram e usam Rodrigo como exemplo a ser seguido pela ala masculina. E os homens, ah, eles pedem que elas baixem o padrão de qualidade, pelo amor! Um deles até escreveu uma carta aberta ao Rodrigo que viralizou nas redes sociais: “Sério, seja menos. Pq a gente é feio ( e você não sabe o que é isso, pelo visto), mas estamos tentando vencer pelos lados. Aí o senhor me vem construir uma casa pros filhos do tamanho da minha casa...”, reclama o coitado.

 

Eu acho esse casal famoso lindo, mas perfeito demais pra ser sincera. Eu não sei até que ponto essa perfeição não passa de uma estratégia de marketing para vender sabonete ou molho de tomate.

 

O que eu achei bom nessa história foi a reflexão que ela gerou:  a importância da igualdade de gêneros. O como é importante que homens e mulheres saibam lidar com as tarefas domésticas, dividir o cuidado e a educação dos filhos.

 

Tem muita mulher sobrecarregada por aí, que precisa ser mãe da cria e do próprio marido.

 

Eu acredito que a igualdade precisa existir dos dois lados. Mas as mulheres ainda estão em muita desvantagem, então sim, é totalmente válido pedir que os homens sejam um pouquinho como o Rodrigo.

 

Para mim, todo ser humano tem que aprender, cedo ou tarde, a se cuidar sozinho. Cuidar das suas coisas, das suas contas, saber lavar, cozinhar. A gente precisa parar de enxergar as prendas domésticas com uma conotação negativa.

 

Tem a ver com independência e respeito por si mesmo e pelos outros.

 

Ah, mas como é difícil crescer, né?

 

Saí da casa dos meus pais aos 29 anos. Eu admito. Era uma completa mimada. Meu pai pagava as minhas contas, abastecia o meu carro. Minha mãe cozinhava pra mim, cuidava das minhas roupas. E eu, só trabalhava, saía de balada e apreciava a boa vida.

 

 Não que eles não tenham me ensinado nada. Na infância e na adolescência, aprendi a cozinhar com a minha mãe. E a pintar a casa com o meu pai. A lavar e passar as minhas roupas.

Mas depois que entrei no mercado de trabalho, meus pais passaram a relevar a minha preguiça com as tarefas domésticas.

 

Acho que esse é um dos motivos pelos quais tanta gente adia a saída da casa dos pais hoje em dia: como é difícil virar adulto. Cuidar do próprio nariz e fritar o próprio ovo. E não sobrecarregar o parceiro ou a parceira.

 

Com meu marido foi diferente. Ele saiu de casa aos 21 anos para morar sozinho. Ele sempre foi o faz tudo da família: sabe mexer na parte elétrica e hidráulica da casa. Conserta computadores e eletrodomésticos. Prega botões, costura roupas. Faz faxina como ninguém. E uma deliciosa sopa de abóbora.

 

Foi com ele que eu percebi a importância de saber se virar. Nesses onze anos de convivência, aprendi muito com ele. Virei adulta ao lado dele.

 

Não que a gente seja perfeito. Bem, bem longe disso. Brigamos para ver quem vai lavar a louça ou varrer a casa. Discordamos sobre o jeito certo de fazer as tarefas domésticas. Mas cada um luta para corrigir suas falhas. Crescemos juntos, todos os dias.

 

E agora, criamos nossos filhos juntos. Ele é o melhor pai que eu já conheci. O mais presente, o mais amoroso. E aposto que ele sabe construir uma casa na árvore. Bem melhor do que a do Rodrigo.

 

 

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