Sabático de mãe

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Gratidão

Tenho andado muito mal humorada ultimamente. O cansaço das noites mal dormidas por causa da bebê, dores nas costas e a rotina agitada de mãe de crianças pequenas me desgastam.

 

Mas daí que meu parceiro verbalizou isso outro dia: “você reclama demais!”. Aquilo me deixou muito brava. Toda vez que alguém joga alguma verdade na nossa cara é claro que dói. Fere o nosso amor próprio.

 Eu já passei da idade do mi mi mi.  Aprendi a aceitar as críticas dos outros. E enxergar quando elas são construtivas. Então, faço um mea culpa: sou reclamona.

 

E esse comportamento não tem a ver só com os encargos que a maternidade me trouxe. Diz respeito também a uma característica minha: estar sempre insatisfeita.

 

Quando não tinha filho, choramingava pelos cantos. Daí, quando veio o Rafael, esbravejava porque me sentia sobrecarregada. Depois, tive a Clara. Então, me queixava das dificuldades de trabalhar muito e cuidar de dois filhos pequenos. Dei um tempo na carreira para respirar novos ares e continuo com as minhas insatisfações.

 

Parei pra pensar nisso tudo. Meditei, fui à yoga, rezei. Fechei os meus olhos e enxerguei tudo o que conquistei até hoje. Uma trajetória cheia de amor, felicidade e aprendizado.

 

Já entendi que nada é para sempre, e por isso, é preciso viver o presente. Mas como é difícil ser feliz com o que a gente tem nas mãos, né?  Às vezes, basta um aborrecimento pequeno, um comentário mal interpretado ou algum imprevisto com as crianças para eu achar que o dia foi uma droga. Que a vida tá uma droga.

 

De repente, caíram as fichas dentro de mim: É ISSO! O PRESENTE! As crianças crescem muito rápido. Daqui a pouco, os brinquedos espalhados pela sala vão sumir. E eu não vou ouvir mais a frase: “mamain, vem brincar comigo?”. Sei que vou sentir uma falta danada. E não vou nem me lembrar do cansaço que sinto agora.

 

Por isso, firmei um compromisso comigo mesma: exercitar o meu contentamento. Valorizar mais a chance de ficar em casa com os meus filhos. E também curtir cada minuto do meu tempo livre.

 

Hoje, já consigo cultivar as coisas que eu tanto gosto e que andavam esquecidas entre tantas tarefas e correrias da minha antiga rotina.

 

Cozinhar, ler, escrever, fazer yoga. Caminhar. Deixar a casa bonita. Apreciar as plantas. Almoçar naquele vegetariano do lado de casa. Comer brownie na padaria às quatro da tarde. Ir numa cafeteria legal. Dar mais atenção para os meus amigos.

 

As coisas boas que desaparecem quando eu perco tempo reclamando de não ter tempo.

 

Outro dia, li uma frase do escritor americano Richard Bach, autor de Fernão Capelo Gaivota:

 

“SE DESEJAS TANTO A LIBERDADE E A FELICIDADE, NÃO VÊS QUE AMBAS ESTÃO DENTRO DE TI? PENSAS QUE AS TENS E TERÁS. AGE COMO SE FOSSEM TUAS E SERÃO.”

 

Que todos nós possamos ser livres para fazer nossas escolhas. E felizes pelo que somos e temos. Todos os dias.

 

É o que eu desejo profundamente. #gratidao

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