Pensar sobre feminismo

Eu nunca pensei muito sobre feminismo. Toda vez que chegava o dia internacional da mulher, eu ouvia algumas amigas que comentavam o quanto aquela data era ridícula. Afinal, não existe “dia do homem”. Se existe igualdade, por que as mulheres precisam de uma data?

 

Será que é porque essa igualdade ainda é uma ilusão?

 

Eu nunca pensei muito sobre feminismo. Até virar mãe. É quando a gente sente na pele que têm menos direitos e mais deveres do que imaginava. São tantas cobranças e tão poucos olhares de empatia da sociedade, das empresas, do governo.

 

A mulher-mãe é a mulher que precisa ser “maravilha”. Multitarefas, multiuso.  Boa mãe, boa mulher, boa profissional.

 

Não pode engordar no meio disso tudo, viu “menina”?

 

Afinal, é o preço que se paga por sonhar com a maternidade. Abrir mão de si mesma para equilibrar o mundo numa balança.

 

O desafio da mulher-mãe começa em manter a carreira após o nascimento dos filhos. 

 

Primeiro, ela fecha os olhos para as diferenças de salário entre homens e mulheres. Depois, pensa que melhor do que uma promoção seria conseguir um horário mais camarada para conseguir buscar os filhos na escola. E lá no fundo a mulher-mãe sabe que faz algo melhor do que um colega homem, mas É ELE quem vai ganhar aumento, simplesmente porque ela é MULHER e MÃE.

 

Eu nunca pensei muito sobre feminismo. Até envelhecer. E perceber o quanto a beleza de um corpo jovem e feminino é uma moeda de valor na nossa sociedade.

 

Os assédios na rua, no trabalho, na balada. Muitas vezes, a imaturidade nos impede de nomeá-los. A maturidade nos faz ver que enquanto eles existirem, as diferenças vão existir.

 

Eu nunca pensei muito sobre feminismo. Até virar dona de casa. E sentir como o diferente pode ser assustador também para outras mulheres. Dona de casa no século vinte e um sofre um preconceito do caralho!

 

Frases das próprias mulheres: “Ela não faz nada”. “O marido a sustenta.” “Virou madame".

“Ela não pode ser feminista, é dona de casa”!    

 

Estamos vivendo a terceira onda do feminismo. As mulheres ganharam o direito de votar, de trabalhar e a liberdade sexual. Mas não se libertaram de rivalidades ancestrais, que as impedem de enxergar as outras como irmãs.

 

Não julgue as escolhas da sua mana.

 

Ouça. Acolha.  

 

Lugar de mulher é onde ela quiser. Mesmo.

 

Eu nunca pensei muito sobre feminismo. Até ser mãe de menino e de menina. Eu olho para os meus dois filhos e sonho com um mundo IGUAL para homens e mulheres. Um mundo onde o Rafael e a Clara tenham as mesmas oportunidades. E sejam quem quiserem ser.

 

Quando eu comecei a pensar sobre feminismo, concluí que a igualdade é uma mentira. E que as coisas só pioram se você é mulher, mãe, negra e pobre. Sou uma mãe branca de classe média e sei que meus problemas não são nada perto do que muitas mulheres passam por aí.

 

Por isso, é preciso pensar sobre feminismo.

 

Para que as coisas mudem.  #sabaticodemãe

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Sabático de mãe

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