Sabático de mãe

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Cozinhar

Eu confesso. Cozinhar cansa. Nesse período que eu tirei pra ficar com os meus filhos, que chamei de “sabático de mãe”, eu tinha planejado cozinhar mais, descobrir novas receitas, novos sabores. Hoje, quase dois anos depois, estou muito feliz por tudo que já aprendi no universo da culinária saudável e funcional, minha área preferida.

 

Mas eu confesso. Cozinhar cansa. Exige. Começa na ida ao supermercado, à feira orgânica. Na escolha dos ingredientes, no planejamento semanal. Depois, tem o famoso “mise en place”, que é o ato de selecionar os alimentos da receita e lavar, triturar, picar. O preparo em si é a parte mais divertida, quando a gente vê a alquimia das panelas transformar a matéria-prima em obras de arte. Ou em verdadeiros desastres gastronômicos!

 

Mas eu confesso. Cozinhar cansa. Minha cozinha parece uma constante zona de guerra. Está sempre suja, engordurada, com pratos e copos na pia. É a cozinha de uma família de quatro pessoas, com duas crianças pequenas. A cozinha só fecha às onze e meia da noite, depois dos nossos lanches noturnos. E acorda cedo, para o leite e os biscoitos dos pequenos.

 

Eu parei para calcular quanto tempo eu perco na cozinha entre limpar, cozinhar, organizar, planejar. São cerca de quatro horas diárias.Por isso, eu entendo quem desiste de cozinhar porque trabalhou o dia todo e prefere pedir um delivery.

 

Apesar de todos os contras, os prós do ato de cozinhar são enormes. Cozinha é amor, é troca de energia. É improviso e criatividade. É trabalho com as mãos, a cabeça e o coração.

 

Minha mãe era uma cozinheira de mão cheia. Da cozinha da dona Cida saíam bolos, tortas, assados, pães e doces divinos. Eu costumava ficar grudada com ela no fogão. Adorava ajudá-la. A cozinha era nossa maior conexão.

 

Hoje, eu virei a cozinheira-mãe. E meu filho, o assistente. Ver o meu Rafa se interessar pelo coração da nossa casa me enche de orgulho e de alegria.

 

Então, eu confesso. Cozinhar cansa. Mas eu não me vejo mais sem tudo isso.

 

 

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