Sabático de mãe

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O caminho do meio

Minha ansiedade tem me deixado maluca nos últimos meses. Quando mal percebo me vejo repetindo o velho padrão de comportamento. De achar que eu tenho que consertar tudo que tá errado, que posso dar conta de tudo. E assim, me exijo demais.

 

Há um ano, decidi que iria me cuidar. Essa seria uma das prioridades do meu segundo ano de sabático de mãe. Comecei a fazer academia. Eu nunca tinha feito musculação. Estou aprendendo a correr. Consegui me dedicar bastante à prática que eu mais amo, a yoga.

 

Também estou há quase um ano num processo de reeducação alimentar. Precisei fazer isso para perder peso e melhorar a minha saúde. Passei a curtir comida de verdade: vegetais que eu nunca tinha dado bola, pães e bolos feitos em casa, novos grãos e especiarias.

 

Isso tudo tem me feito um bem danado! Desde que a minha caçula nasceu, meu intestino travou, minha coluna travou, minha cabeça travou. Travei geral. Então, eu precisava dessa mudança.

 

Mas daí que tava tudo bem até eu transformar isso numa ode ao meu perfeccionismo. Comecei a me culpar por não dar o meu melhor na musculação. Por não aguentar correr tanto quanto uma maratonista. E não brincar com as crianças na volta da escola, por ter me cansado demais durante o dia.

 

Senti culpa por não escrever tanto quanto eu gostaria para o blog. Por boicotar a minha dieta natureba nos fins de semana. Por não ser uma mãe iogue-evoluída como as do meu Instagram.

 

CULPADA! CULPADA! (Só faltou eu carimbar isso na minha testa)

 

A verdade, amigos, é que eu sou uma tosca. Daquelas que aproveitam que as crianças estão brincando na sala pra tirar um cochilo no quarto. Que quer ser vegetariana, mas é só entrar na TPM que vai até a lanchonete comer um hambúrguer sangrento. Que come chocolate escondido dos filhos. Que é feminista, mas também se orgulha de ser boa dona de casa.

 

Essa sou eu. Um emaranhado de incoerências e incertezas. De erros e acertos. Uma mulher em desconstrução. Que não se encaixa em nenhuma identidade.   

 

Mas será que é preciso mesmo que a gente se encaixe?

 

Eu acho que nessa era de redes sociais o mundo tem ficado muito chato. Todo mundo tem que ser politicamente correto e sem (com) filtro. E isso, é claro, também respinga nas mães.

Se você não é aquela que exibe a vida perfeita, fazendo selfie enquanto as crias comem os legumes, amiga, você tá lascada.Se por aí a disciplina positiva, o método Montessori e a criação com apego falham de vez em quando e você se pega gritando com os filhos e querendo jogar a macarronada para o teto, saiba tamo junta!

 

Eu sei que eu falho. Eu sei que as mães falham. E está tudo bem. Estou tentando melhorar a cada dia. Aprendo todos os dias.

 

Não somos perfeitas. Somos da primeira geração que quer melhorar para criar seres humanos melhores. E isso já é um enorme desafio. Na época dos nossos avós, era tudo na base da surra, o que era horrível. E os pais não se culpavam tanto por falhar com os filhos como acontece hoje. 

 

Eu ainda estou me recuperando da montanha-russa de emoções positivas e negativas que a maternidade me trouxe. Ainda busco um caminho. E agora vejo que esse talvez seja o caminho do meio. 

Sim amigos, é a velha história do equilíbrio.

 

De nada adianta eu ser uma mãe em tempo integral, se não tenho tempo pra extravasar. De nada adianta fazer academia, se me culpo por não ter barriga tanquinho.  É inútil achar que vou sempre acertar com as crianças. Um dia vou errar, sim.

 

Mas quando der uma bola dentro, vou comemorar.  

 

 Pois sei que dosar tudo e celebrar as pequenas vitórias do dia-a-dia é o início de uma trilha para uma vida mais leve.

 

O que está ao meu alcance é agradecer. Agradecer muito por todas as oportunidades que eu tenho de amadurecer como mãe, de melhorar como ser humano e de amar e ser amada. No final é o que realmente importa, não é mesmo?       

   

  

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