Sabático de mãe

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Sobre pequenos prazeres

Comer um bolo que acabou de sair do forno com um café coado na hora. Preparar a própria comida ao som de The Clash na vitrola. Escrever por INSPIRAÇÃO e não por PRESSÃO. Ter tempo para conversar e abraçar os amigos. Passar o domingo de bobeira com a família. Dormir de conchinha com as crianças, sem pressa. Fazer uma aula de yoga e sentir os músculos relaxados. Respirar.     

 

Vocês já perceberam como os pequenos prazeres fazem a vida valer a pena? Eu falei aqui de algumas coisas, mas poderia escrever linhas e linhas sobre o que eu amo fazer nesse meu período sabático.

 

Eu decidi tocar nesse tema porque acho que as coisas estão difíceis demais pra todo mundo. Ouvimos notícias ruins o tempo todo. Passamos por situações difíceis e deixamos de acreditar no ser humano. E quando se é mãe, tudo parece pior. Porque a gente se questiona: “Puxa, pra quê fui colocar uma criança num mundo assim!”

 

Eu sei que tá puxado, mas a gente precisa se apegar ao que tem de melhor na nossa vida. É uma forma de lutar pelo amor. Pelo que é bom. Estou falando de valorizar o presente e o que a gente ama fazer. Valorizar quem nos ama. E jogar fora emoções, sentimentos e atitudes que não servem mais. Nosso maior inimigo somos nós.

 

Não sou uma louca alienada procurando um rebanho de mães alienadas e otimistas como eu, mas uma mãe de carne e osso. Eu preciso acreditar em algo maior para seguir em frente e criar os meus filhos com fé. 

 

E meu modo de fazer isso é enxergar tudo de melhor que eu tenho. Todos os dias.

 

A propósito, vocês já assistiram O Fabuloso Destino de Amélie Poulain? O filme conta a história de uma jovem nascida no subúrbio da França, que cultiva um gosto particular pelos pequenos prazeres da vida. Como por exemplo, enfiar a mão no fundo de um saco de cereais ou jogar pedras num lago.

Esse filme sempre me marcou. Primeiro, porque eu me identifico muito com o jeito romântico, atrapalhado e otimista da personagem. Segundo, porque eu amo a França!  Adoro a comida, os filmes, a cultura!

 

Dia desses, estava andando de carro e dei de cara com uma escola de francês no meu bairro. Eu não resisti. Fiz um teste, comprei os livros e decidi estudar francês. Eu já conhecia o idioma da época da faculdade, há vinte anos e bolinha...

 

Contei para o meu pai, um senhor octogenário, daqueles que precisam enxergar um objetivo em tudo. E ele me perguntou: “Mas filha, isso vai ser útil?” Eu não soube responder. Enrolei meu pai com o que estava escrito no panfleto da escola: “oportunidades de emprego em grandes corporações e cursos no exterior”.

 

A verdade é que eu tive vergonha de admitir que é porque eu AMO francês. Simples assim. Me dá prazer. E eu aqui, em pleno período sabático em casa, com os meus filhos, só tenho priorizado fazer o que eu gosto. E isso tem me deixado muito feliz.

 

Eu sei que, num futuro próximo, vou voltar para o mercado de trabalho. Meu dinheiro para me manter nesse sabático está chegando ao fim. Minha vida voltará a ficar agitada. Assim como no passado já enfrentei fases corridas, cheias de tarefas para entregar e problemas que me sobrecarregavam. Eu brincava que era a minha “gincana materna”.

 

É claro que, muitas vezes, não temos saída. Tem hora que é preciso fazer “o corre” sem vacilar.

 

Mas também tem hora para parar, pensar e tentar mudar o que não te faz mais feliz. E esse é o maior ensinamento que eu tive nesse período sabático. Deixar o que não vale mais a pena de lado e tentar construir uma vida que me motive mais.

 

 

E será que fazer o que a gente ama, as tais pequenas coisas, que de pequenas não tem nada, não é uma forma de mudar o mundo?

 

E não é de amor que a gente precisa, acima de tudo?

 

Às vezes, me pego largando os afazeres da casa para sentar e ver desenhos com as crianças no sofá. Levo e busco na escola. Faço as comidas que eles gostam. Durmo agarradinha com os meus filhos e não saio do quarto deles, mesmo sabendo que os dois já pegaram no sono.

 

São os momentos que eu quero que o tempo pare. É quando eu sinto a presença do amor. 

 

 

 

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